É o Minho, senhores e senhoras

Chega-se à Quinta Lamosa e é verde por todos os lados. Uma pessoa, sem saber como nem porquê, sente-se criança outra vez e acha completamente plausível começar a correr pela relva, enquanto se vai descalçando e tirando a roupa, até chegar à piscina.
Mas é outubro e, apesar do sol, está demasiado fresco para isso. Além disso, acabei de conhecer João Pedro, o proprietário da quinta, talvez seja melhor ficar calçada e vestida.
Até chegar à Casa da Árvore, onde vamos dormir, passámos pelas outras casas da quinta. Logo no início, a Casa da Corte, a primeira a ser construída e a única que leva cimento. Em cima, fica o quarto enorme, com uma parede de vidro que nos leva para o meio das árvores, e um espaço com um sofá. Em baixo uma sala, com saída para o jardim, e cozinha.
Seguimos pelo relvado, cruzámo-nos com as bicicletas (que podem ser alugadas), pelas canoas que tinham sido usadas pelos últimos hóspedes, e demos de caras com os dois Espigueiros, cada um deles com um quarto, casa de banho e kitchenette. Na parte de baixo está a rede e uma mesa e cadeiras para refeições ao ar livre.
A piscina está no socalco seguinte. É a configuração da quinta em pequenos socalcos, típicos nesta região, que permite as casas estarem escondidas umas das outras, contando com a ajuda dos frondosos carvalhos e castanheiros.
É a seguir à pequena ponte, que passa por cima do ribeiro, que chegamos à casa da árvore, a última a ser construída. Primeira sensação: um certo orgulho por ter conseguido chegar ali sem ser a correr descalça e meia despida. Segunda sensação: a sério que vou ter de continuar a conter-me para não começar a dar saltinhos dentro de uma casa da árvore?
É claro que são precisos poucos minutos para perceber que mesmo tratando-se de uma casa toda em madeira, construída no meio da copa das árvores, temos todas as comodidades de uma casa normal. Dois quartos confortáveis, uma casa de banho, a cozinha com mesa de jantar e sala de estar com salamandra. Lá fora uma varanda com mesa e cadeiras e por baixo da casa mais um espaço que convida a usufruir do verde Minho.
Mesmo assim, ainda demoro na ideia de que vou dormir numa casa da árvore e que de manhãzinha vou viver uma aventura no vale do rio Vez.
Não tenho culpa, em minha defesa devo acusar os ares do Minho, que deixam correr livres os garranos e as cachenas e que nos enchem de apetite para a broa e os enchidos do Senhor Joaquim (que está na Porta do Mezio a ensinar a fazer broa tradicional, entre outras coisas), acompanhados do vinhão desta zona.
Como é a Quinta Lamosa?
“É a configuração da quinta em pequenos socalcos, típicos nesta região, que permite as casas estarem escondidas umas das outras, contando com a ajuda dos frondosos carvalhos e castanheiros”.
Localização
A Quinta Lamosa fica a cerca de oito quilómetros do centro de Arcos de Valdevez, na freguesia de Gondoriz, e à mesma distância da Porta do Mezio, uma das cinco entradas do Parque Nacional da Peneda Gerês.
Também fica perto de Sistelo, a aldeia recentemente classificada Monumento Nacional, e ponto de partida/chegada de vários trilhos, que incluem os cada vez mais famosos passadiços do Sistelo, que fazem parte da Ecovia do Vez.
Morada: Lugar da Zebra Gondoriz 4970-182 Arcos de Valdevez
Quartos
Existem quatro casas, na quinta: a Casa da Corte, a maior de todas e a única construída com cimento, dois espigueiros cada um deles com um quarto e uma pequena cozinha e a Casa da Árvore com dois quartos, uma sala e cozinha. Todas estão construídas de forma a garantir a privacidade dos hóspedes.
Atmosfera
O Minho em todo o seu esplendor. Cercados de verde por todos os lados, a dormir ao mesmo nível dos ramos das árvores e a ouvir o som do ribeiro que atravessa a quinta.
Pequeno-almoço (café da manhã)
Se não tiver a possibilidade de participar num workshop para aprender a fazer a tradicional broa de milho, e depois comê-la ao pequeno-almoço, tem sempre pão fresco pendurado à porta, num saco de pano. Também há leite, café, chá, sumo, manteiga, compotas e marmelada caseira à disposição.
Quinta Lamosa
Pontos fortes: a distribuição das casas pela quinta, os espaços bem cuidados e a proximidade a locais que proporcionam experiências únicas e que podem ser programadas pela Quinta Lamosa.
Pontos fracos: nenhum relevante.
Conclusão: vai-se para dormir e fica-se com vontade de correr livre como os garranos.
Ideal para: casais, famílias, grupos de amigos.

Fonte: Blog Hotelandia , por Carla Fonseca

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